Meu olhar

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

Azul de fevereiro





a tarde escorre pelo dia
penetra no coração e permanece ali
nuvens se abrem com mãos generosas
sua alma se veste
com a pele que conforta
quando sequer um pensamento
fica entre voce e a veste
o silencio acaricia sua pele
estilhaçando-se em mil pedaços
deixa a casa
envelhecido a perfeição
roga a Deus por ter-lhe feito assim
Deus responde com a certeza
de que não tem mais nada
a procurar...


Vóny, voce é essa certeza.




Vania Lopez

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

(A poesia) contínua mais sedenta do que nunca



procuro o silencio em mim para escutar
o alfabeto dos movimentos
o suspense antes da explosão
de uma palavra delicada
pairando no papel
movimentando-se sob a superfície
sonhando preces
lê os lábios dos versos através das mãos
é como o som dos pássaros
maior que todos os impulsos
a terra não existe
o tempo é eterno
ata como um cordão
a alma fica cega
as mãos moldam
a semelhança de Deus em versos
e por um instante... um único isntante
pode-se viver para sempre




Vania Lopez

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A visão dela (vida) em sua pele aquece a minha...


não ame o que não sou
como se seu coração fosse partir
nos meus melhores dias sou cheiro
tremo nos varais do tempo
aroma, mas não perfume
vertigem do último cigarro
nos outros dias
os piores, os que teus olhos reconhecem
sou um alpendre com vista para a vida
sou eu, mesmo,
tudo que só tem um dia
quase sempre vestido
respirando fogo
camisa de ferro, com mangas de cetim
a segurar as calças
um cinto feito de gaivotas
o sabor e sua loucura
nos pés, a sola nua
máscaras e sussurros
cansada de caminhos estreitos
a face, virada para as costas
a vida
de quem me quer ver
como os teus olhos querem ver
amado e temido
até que a morte venha buscar


Sampaio Rego & Vania Lopez


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Escrevi o teu Nome na Água"


No rio que corria em desassossego depois de mais um temporal, deixei agora mesmo as minhas impressões digitais.
Escrevi o teu nome na espuma que rodopiava entre detritos e a poluição provocada pelas suiniculturas que teimam em poluir este rio dia após dia, mais moribundo.
O teu nome lá foi flutuando… flutuando…
Ninguém o consegue ler, eu sei… mas que importa? Se nasceste para que apenas eu possa escrever o teu nome?
Ainda luzem nos olhos dos peixes moribundos os raios que pincelaram o céu enegrecido do entardecer. A trovoada sempre me pareceu um Deus indignado com tanta patifaria mundana!
Vai … assim incógnito. corre por entre as pedras e pela água como pulsas no meu peito.
Espero-te na foz, para te abraçar…!

                                          

                                                      (VÓNY FERREIRA)

Morada





fugi de um mundo; não perdido, mas encontrado.e é por isso que não estou agora aqui,nem em lado algum. a minha morada é feita de palavras de ar. erectas mas passageiras. que arrumo e desarrumo como se fossem casas de vento. eu habito o vento; procuro refúgio onde há loucura apenas.tal como as casas,às vezes as palavras dão-me a luz das janelas;outras, a escuridão do sossego.outras ainda, portas a bater, corredores do medo. às vezes dão-me uma cama onde me deixo ser .amor. ou me deito. no cansaço de não ser nada. depois deixo que o vento me revolva os lençóis. me fustigue as vidraças. me bata as portadas. me estremeça. como luz . velas.  ninguém ouve os meus uivos .ninguém ouve o meu vento. deixo que ele me beije e me afague a face deste vosso silêncio. que me derrube, me eleve e me faça rodopiar. Às vezes dançamos uma dança invisível que me doi, familiar. e é neste terreno sem terra sagrada que ele me habita. e eu , eu em ruído, eu tantas vezes em tempestade, eu. calada.
habito-o. 

                                             
                                    Poeta: Alexis

Carne de Lírios






inventa–me entre teus dedos
com um corpo de campo 
um punhado de terra dentro,onde vingam beijos microorgânicos

faça-me da altura e medida de um abismo
peso de um abandono

não macia, não,nada de seda,mas pele com escamas eczemas de tristeza crônica 
na cor de dores brancas, 
pinte de venenos vermelhos as unhas
solidão rouge nas maças do rosto 


inventa-me com olhos de um azul- farpa-profundo,matizado de pontas 
imagine-me fria e louca possuída por todas os precipícios do mundo 
dispa-me do bem e do mal,vista-me de um nú abençoado

inventa-me nessa metafisica solitária;
serei um silêncio em construção 
sentado nos teus olhos 




Poeta: Marlise

Até onde nossos pés desejarem...


  


                                                 
                                      (para um amigo)

desenharia com a alma numa folha de céu a doçura que logo após nascer
o sol fica esperando, é como se podendo vê-la não importa morrer antes
do anoitecer... sou um daqueles que perambula pelas ruas da vida até o
cano da tua alma cujo destino será selado como se trouxesse a voz de
Deus para restaurar o que o oceano seca, ao som de sorrisos caindo direto
da boca de uma mulher para o ouvido de um homem. saborear a alegria
do sentido em seus olhos testemunharem minha vida que se deita na sua
frente enquanto meu coração ainda bate em seu peito...


                                  (além de céus e oceanos)




                                               Vania Lopez

domingo, 12 de fevereiro de 2012

(que possa sustentar um suspiro)





ao anoitecer seu espírito esgueira-se
anos viram horas
lágrimas viram flores
tudo perambula na choupana
assola pelos muros da alma


ouve amado, esse é o canto dos cisneis
eu sou o corpo e voz dele
procurando uma sepultura
que possa sustentar um suspiro
junto a luz de seus olhos
... indo embora




Vania Lopez

rastejando pela garganta... arranhando por baixo da pele






longe a noite está caindo com a cidade ajoelhada a seus pés, chamando
da porta aberta... a razão emudece rastejando pela garganta lambe os
ossos como uma cobra aos seios, o desatino nada em águas profundas,
segue teu corpo. demonios caem, nuvens arrebentam, o céu chora suas
mentiras mergulhando o resto de sua alegria inundando os ouvidos de
saudade. machuca mais fundo que a carne, arranhando por baixo da pele
pela última fatia do seu rosto como a um prato de vida. violenta a alma
quando a vida vai sumindo abraçada as areias do tempo. minhas mãos...
já não são mais minhas...




Vania Lopez

... a cada noite que acaba







pintei o sol
que nunca mais vai nascer
embaixo da batida das minhas asas
para sentir um pouco a sombra
do amor que sinto por ela
enquanto o meu suspiro der vida
ao comando das asas
voce verá mãezinha
o que escondo nos olhos
toda a dor será apagada
junto com o braço que a empunha
a cada noite que acaba...




Vania Lopez

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O silencio ousa ser mais alto que os gritos...




tem cabelos negros macios
olhos verdes como o céu
estatura alta
estava usando jeans escuro
e uma camiseta branca
levava uma mochila
com todos nossos dias de chuva
foi visto pela última vez
indo pelas ruas dentro de mim
por volta das quatro horas de ontem
com o silencio que consegue
ser mais alto que meus gritos...

(baseado em fatos reais)



Vania Lopez

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Arados, feriados e algo em movimento


enquanto penso em abrir
uma barraca de limonada no deserto
seus cabelos se divertem com o sol
o peso de seu fascínio
lembra uma serpente que dança
na ponta dos meus olhos
o mundo gira de margem à margem
inundado em sua boca
expulso entre seus dentes
derrubam árvores
em solo macio
e a suavidade de seu rosto
bem poderia estar
em uma moeda de ouro
desinibido como um barco
que se inclina e alonga o mar...



Vania Lopez

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