Meu olhar

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”

caminhando sob o sol
por trás do teto alaranjado de nuvens
chiando em sua marcha
lenta e firme à frente
fé e esperança drenadas nos corações
de todos que anseiam liberdade
o jovem de mãos tremula
vira um gigante de pulso forte
erguendo a única flor que cresce entre as ruínas: ‘a justiça’
com fogo nos olhos
certeza no coração
bandeira no peito
a palavra na frente
lutando pelo sangue na veia
urge a marcha da indignação
preenchendo as ruas de orgulho
o brilho da arma
vencido pela flor
a razão alastrando o agora
o nosso chão de cada dia
derrubando muralhas, trincheiras
os ventos livres, pelos campos, pelas construções
a alma veste a história
na superfície plana do asfalto
o Brasil é o céu
o trabalhador é a terra
a certeza a plantação
no estandarte de um novo amanhã
o verde, azul, amarelo e branco
não é mais opaco.



Vania Lopez

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A casa

A dor se precisa
Ao olhar a casa
Ainda pairando
No espaço da rua.

Não está mais lá
O grande armazém,
O avô entre a balança
E as vozes do balcão.

O fogão à lenha
Ardendo vida no quintal
De minha avó, mulher
O alimento de todos,

A coalhada descansando
Na sombra da mesa
As folhas de uva,
O trigo e a hortelã

Sobre a madeira de luz.
O tecido das cortinas
Jogando capoeira
Com o vento na sala, silêncio...

O muro dos fundos
Casca madura que já não presta...
A hera é seu reboque.
Tijolos vermelhos, limo e folhas.

E os sábados existindo
Entre paredes tão fundas
Da minha infância, o Líbano
E o cedro no canto

Da vitrola, o Líbano nas vozes
Que por lá dançavam
Com lenços e flautas.
O Líbano na língua que macia

Adormeceu em almofadas
O meu brasileiro tão mateiro,
Risco de faca no terreiro,
Fala esquecida entre mangueiras.

Onde se escondeu o que perdi?
A casa está pairando no centro de Itapetininga,
Mas o terreno agora é só o espaço do vento
De tantas medidas e nenhuma fronteira...
A dor se precisa
E é absoluta
Balança pesando grãos.

As mãos da minha avó mergulhadas no trigo tardio,
A cachaça perfumando o balcão do meu avô.

Algo foi roubado de mim
No quando dos dias,
Brisa dobrada sobre a cama...

A casa está no chão
E o homem de agora
É onde estou,
Esteio desses pássaros aproximados 
Da saudade.

E o que me pertence hoje
São os quartos,
O grande corredor,
A cadeira de balanço,
Um jeito de alfazema em tudo
Que se foi...

Algo fugiu de mim
Sem pressa
E sem aviso...

Não sou mais...

A casa que fui
Partiu
A casa  que sou.



Fiori Esaú Ferrari

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um tantinho de hasta la vista... blue


 pintou nosso amor nos olhos de um navegador
o mar se abriu
o chão afundou
... feito um vestido que pede para cair
 parecia bíblico.

tentei usar o braço
e salvar teu sorriso, seu xampu, seu creme.
mas eram quase nove horas...
liguei a tevê.

tentei usar o pé, para segurar suas pegadas
 pelos corredores da casa (como um anjo)
mas meu time perdeu
fui tomar um ar... num bar do Brasil

restou só uma etiqueta cereja
identificando você de um rock’n’roll,
de um dia branco, novinho em folha...
neste caso, (por puro respeito), eu paro de ler.

chamo um padre,
sei lá... com música de 007 ao fundo
eu grite usuário e senha
e cometa o alzheimer de ser blue...



Vania Lopez



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Não se separa, com vírgula, o sujeito e verbo

me chame de Jane
segue meus cabelos no xadrez da blusa
seda o tempo que teima esquecer tua boca

a cor já sabe de cor tua sobrancelha
nenhum artista vai esculpir
seu gosto.
(o que contou nossos dedos).

... quando acaba você
meu batom sorri com fome
Cinderela pede uma bebida
(dói tudo dentro do verbo).

se o jantar está na mesa
a temperatura de sua pele anda de meias pela casa
entre nossos telefonemas.
abafa as britadeiras da rua.

(faz) feito vento... sopra até sarar

mas diga, moço: - quanto custa sua saudade?
põe preço
no barulho de seus passos vindo pela estrada
(onde meu interior)
nem sabe que está preso...



Vania Lopez

terça-feira, 4 de junho de 2013

Buuuuuuuuuuuuuhu!

nos quarenta e oito minutos do segundo tempo
beirando o tudo e o nada
a santa exigia:
‘um silencio que veste Prada
um disco de MPB riscado’
e um, um único pedido (Zinho).
uma sábia.
joguei a mão lá em cima, nas alturas!
(eu tenho, eu tenho!)
quero de volta aquele número que faz a bina sorrir
nos braços de um óculos cor de rosa!
coisa fina. (mas não vale nadica, só eu sei!)
... sumiu ou foi roubado
tá preso na enchente...
já pensou a tragédia?
mande um motoboy vasculhar desde a última década
do ‘Oiapoque ao Chuí’.
que o mundo não saiba.
(sob hipótese alguma)
mas o número é uma bomba relógio
disfarçado de menino ‘confidencial’ (já cível)...
só... provoca um encontro casual com esse número.
(ops!) a santa interrompeu:
-o pedido só pode ter 140 caracteres!
ochê! daí levantei as duas mãos!...
(um perrengue essa vida)
as ruínas o bom senso
fecho os olhos, a boca, os ouvidos
abro a bolsa, saco as contas do rosário.
(aquelas para superemergência)
tão, mas tão compenetrada na súplica...
(só quem tá infeliz de verdade, sabe).
haja santa! vamos fazer valer agora esse pedido!
pois depois da internet,
nunca mais.
e depois
Buuuuuuuuhu!
vais ter que explicar pra minha mãe...
prefiro nem falar.




Vania Lopez

quinta-feira, 30 de maio de 2013

... Que na tua mão (demora a morrer)


 ‘se acaso não voltar nesse bilhete
cobre a pele
o pecado da palavra
sacia a linha
de forma que ore
o silencio ficar’



Vania Lopez

quarta-feira, 29 de maio de 2013

(...) Abro um silencio.


 diz-me, onde no meio da tarde, repousas meu coração,
para que eu pare... de vagar. enche as mãos de flores, para
que eu te leve em mim ”.

agarrada aos motivos dos versos
fazendo o que sabe,
as mulheres que em mim andam descalças
deixam cair palavras em mi, em si.
arrastam a toalha com os pratos.
perdidas pela casa suspiram no alpendre.
tudo que não é saudade tece o deleite,
apara as nuvens, dosa o sol.
desdobrando tuas asas no azul que não para nunca mais...

‘para que eu voe decorando o caminho’
(como um aceno dos olhos)



Vania Lopez

terça-feira, 28 de maio de 2013

E eu só tenho o céu...


 (...) e não tornou a cantar
caminhou ao som dos carros
entardecendo às escondidas
fugindo com a ilusão blue

noite alta decotada
deita as nuvens ao meu lado
leva tudo aquilo que me faz falta.
entre os dedos... meus olhos de vento
(...) um leve gesto numa manhã de ninguém.



Vania Lopez

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Água da chuva...



garimpei no tempo esse seu jeito de olhar. nossa música tocava num bar como uma Ave Maria procurando aqui dentro. teu cheiro. teu jeito. as coisas voltando em alguma data para se sonhar (o enquanto). e a vida treme esse exatamente aqui. o que sobra em meus braços. chove como chuva que não toca o chão e alaga o interior. o mar. tal água firme. água de chuva. água de choro. toca o telhado. seu endereço. sua roupa. tua pele. o que enche a folha onde as palavras não secam. não faltam. sorriem o ar. sob céu algum. amado amigo. foge agora. para aqui dentro e não cessa. largo tudo... dar-te-ia a mim mesmo sem data. mas diga-me onde é esse longe que não acaba? – se no meu peito é tudo tão perto como um vento enluarando seus cabelos. só pra te falar de amar. de mar... como um raio vivo que treme em suas mãos. de tanto (não parar) esse amor. esse mar de perder a hora de acabar-me. como um navio a navegar-nos...




Vania Lopez

Deixe o tempo aos meus pés... como um gato preguiçoso

perfume-se de palavras rendadas
embriagadas de contentamento
como fogo pelo campo correndo pela sombra seca.

põe nos lábios o castigo
o sossego do infinito
arranca minhas asas
sem sujar sua voz pela casa.

sê rápido,
não gaste o tempo do cigarro
... do breve ensaio de minhas mãos a morrer
o todo inútil (de abismo algum)

só não se fie em meus olhos
rindo e falando bobagens.
a alma... vai vacilar
meu coração irá negar-te três vezes
antes do galo cantar...
(pois você não cabe aqui)

nem vou lhe beijar.
retire o silencio daqui... quero me despir.



Vania Lopez

O... (fogo) e o juízo final...

morrem os espelhos (vazios)
com vistas do sol e da chuva
a jaqueta que tanto gosta
o cansaço dos pecados (aos pedaços)
o oxigênio que consome a sombra (sem cela)

a alma vendida como carne barata,
na terra e no mar
(todos os barulhos somem)...
tua voz quando chama meu nome
o jeito que você põe o cabelo atrás da orelha.

pois me morre teu reflexo
e Deus... Deus não pode consolar

(um navio em chamas)



Vania Lopez

terça-feira, 21 de maio de 2013

Parto para não voltar...

 preciso ter um copo de paz
saciar a vontade do peito de saber
de onde vêm esses cabelos
construir pontes de pãezinhos para poder tocá-los
guardar os seus beijos feitos para acabar
que já não cabem no mar

colorir do lado de fora das linhas, você.

e por ser só um
é sempre guerra
como se o céu fosse arrancado dos meus pés
perto de saber por que não vem
as horas se desesperam sem voltar
dividindo o silencio com seu rosto
hoje e depois.
mas eu não posso mais
ter asas tão longe... de esquecer.


Vania Lopez

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